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13 de outubro de 2020

Resenha Literária #9


O Crash de 1929

Autor: Selwyn Parker
Avaliação Monster: 7/10

Estimados leitores, aqui apresento mais uma tiragem da série e desde já agradeço o tempo dispendido. O livro objeto desta resenha é conhecido pois discorre de um assunto muito debatido e analisado pelo mundo. 
O livro foi escrito por um repórter especializado em temas econômicos porem não encontrei outras obras relevantes dele.

Eu particularmente tenho uma forte inclinação por obras de história principalmente relacionadas a economia, investimentos e mercados financeiros no geral então esse livro já estava na minha lista e consegui encontra-lo no sebo que frequento pela bagatela de 9 reais.

O livro no geral é bom, bem escrito e o autor deve ter realizado muitas pesquisas pois trata-se de uma obra com diversos detalhes e aprofundamento sobre o evento. Porém a obra me decepcionou num ponto, pois eu esperava que o foco fosse os motivos e eventos que levaram ao crash em si e sobre isso creio que foi dedicado por volta 1/5 do livro. O grosso em si foi a abordagem do pós-evento nos EUA, Reino Unido e suas colônias. 

Para quem acredita que soluções estupidas criadas a toque de caixa para os problemas econômicos é exclusividade de países subdesenvolvidos e populistas Brasil, o autor traz a luz que essas "soluções" também existiram por lá e foram uma das responsáveis pelo prolongamento da crise que se arrastou pela América do Norte e Europa e tristemente foi a segunda guerra mundial que acabou revivendo a economia mundial com o esforço de guerra e sua posterior reconstrução da Europa após quase total destruição.

O livro é bom para quem gosta do assunto e rico em detalhes porém pode ser maçante para quem quer uma visão mais generalista do assunto e se o leitor também procura maiores detalhes sobre o precedente do crash da bolsa em 1929 essa obra não se aprofunda neste assunto. Aprovo e recomendo o livro aos leitores deste humilde reduto.


Abraço,
Monster

3 de setembro de 2020

Resenha Literária #8

 

Making 36%: Duffer's Guide to Breaking Par in the Market Every Year, In Good Years and Bad

Autor: Terry F. Allen
Avaliação Monster: 2/10

Estimados leitores, aqui apresento mais uma tiragem da série e desde já agradeço a costumeira atenção. O livro foi comprado online então não tive a oportunidade de dar uma rápida folheada e se caso eu tivesse visto fisicamente provavelmente não teria comprado. Creio que foi um dos piores livros que li e como estou estudando o assunto acabei comprando unicamente na base da capa.
O livro foi escrito por um operador de opções que criou um serviço de newsletter na qual enviava estratégias de opções e após um certo tempo resolveu por consolida-las num livro. O fato é que mal dá para considerar como um livro pois aparentemente não houve qualquer revisão técnica ou editorial (o autor deixou claro que o criou inteiramente só inclusive foi o responsável pela impressão e distribuição.

Indo direto para a avaliação, o autor passa metade do livro dizendo que qualquer forma de investimento é ruim (qualquer mesmo, desde ações, imóveis, renda fixa e fundos) e que a melhor forma é 100% em opções. Só por aqui já é suficiente para encerrar a leitura, dada a loucura da tese. Já o pouco que sobra, o autor discorre da estratégia que é basicamente uma operação calendário, no qual após escolher um ativo objeto, que ele recomenda alguns ETFs, é comprar opções vencimento longo, acima de 18 meses e vender opção de curto prazo (até 2 meses) e tudo atm (at-the-money). A estratégia funciona se o ativo andar de lado e ganha-se no decaimento do valor das opções vendidas e a comprada fica de proteção. 
Não vejo como uma pessoa poderia colocar todos seus recursos numa estratégia dessa como o autor recomenda, mas segundo o seu histórico, essa estratégia renderia de forma "segura" 36% a.a. sendo que ele mesmo tem outros portfólios mais apimentados que rendiam de 50 a 100% a.a (a diferença seria nas escolhas dos strikes das opções vendidas). O livro é já um pouco antigo e foi revisado em 2008 no ápice do crash subprime e que segundo o autor a estratégia ainda foi vencedora. Outro ponto é que o racional técnico, riscos e o operacional é pouquíssimo abordado e cabe ao leitor ou assinar o seu serviço de recomendação que traz a operação montada ou teria que procurar maiores informações.

Minha opinião é que não perca seu tempo e dinheiro com esse livro caso queira algo sobre o tema.


Abraço,
Monster

28 de agosto de 2020

Resenha Literária #7

 

Vendetta - American Express e a Difamação de Edmond Safra

Autor: Bryan Burrough
Avaliação Monster: 4/10

Estimados leitores, aqui apresento mais uma tiragem da série e desde já agradeço a costumeira atenção. O livro objeto desta resenha é antigo (publicado no inicio dos anos 90) e pouco conhecido aqui no país. A obra foi escrita após o escândalo corporativo envolvendo uma disputa reputacional envolvendo a American Express e o banqueiro Edmond Safra (este o irmão mais velho e líder da família Safra).

O livro foi escrito por um repórter investigativo do Wall Street Journal que passou a investigar uma retratação pública emitida pelo American Express a favor de Edmond Safra e seus bancos vinculados por possíveis informações inverídicas distribuídas para a mídia internacional por colaboradores da Amex.

Eu cheguei neste livro após procurar por algum livro que contasse a história da família Safra e dada a postura reservada desta, foi o único que encontrei. Além de ser escasso o material, por ser antigo e sem reedições, tive que rodar alguns sebos para encontra-lo. Sinceramente achei a obra fraca para o que eu procurava pois queria mesmo é saber dos negócios e bancos da família e não apenas uma disputa comercial envolvendo um dos familiares. O fato era que eu tinha uma expectativa elevada mesmo.

Indo direto ao ponto, o começo do livro foi bom, pois o autor conseguiu trazer informações sobre a origem da família Safra e seus negócios e também da própria American Express. Logo depois foi narrado o evento que deu origem ao relacionamento entre Edmond Safra e o Amex, que surgiu a partir da proposta de compra de um dos bancos de Edmond (Trade Development Bank suíço) pelo conglomerado americano. Aqui por si só já resume o resultado que essa compra teria, pois basicamente seria o seguinte, Amex compraria o TDB por uns 500 milhões de dólares em dinheiro e emitiria ações a favor Edmond e por fim, Edmond continuaria como CEO do TDB reportando ao presidente do conselho de administração da Amex no qual Safra passou a ser o maior acionista individual. Como podem imaginar tal estrutura resultaria em um forte conflito de egos, com um bilionário sendo subordinado de outra pessoa que comanda uma empresa que o próprio bilionário é o maior acionista.
Para finalizar o óbvio, o casamento se quer durou um ano, quando os atritos entre ambos selou o fim da parceria, com o Edmond Safra renunciando totalmente do TDB e vendendo suas ações da Amex para abertura de um novo banco na Suíça. 3/4 do livro trata-se dessa disputa, sendo que o Amex utilizou de técnicas de difamação publica para minar a reputação de Safra e consequentemente se proteger do novo banco a ser criado. 

No final das contas o incidente só consumiu tempo e dinheiro de ambos os lados, após um negócio que não deveria ter ocorrido sendo que o Joseph Safra, irmão de Edmond e controlador do Banco Safra no Brasil tentou convencer o irmão a não fechar o negócio e o próprio Edmond teve sua parcela de culpa em vender o banco e não ter se desvinculado totalmente do banco vendido, o que evitaria todo o imbróglio.

O livro acaba se tornando maçante pois entra nos detalhes de como o Amex tocou a campanha difamatória por meios ilegais e Safra indo até as ultimas consequências por matérias falsas publicadas em jornais obscuros de paises como Peru, México, França e Suíça. Minha recomendação é se for ler o livro, o mais interessante é ate a metade da obra que traz fatos interessantes da vida dos Safra e da Amex e a concepção do negócio entre eles. O restante é só linguiça da briga de egos.


Abraço,
Monster

18 de agosto de 2020

Resenha Literária #6


24 Days: How Two Wall Street Journal Reporters Uncovered the Lies that Destroyed Faith in Corporate America

Autor: John R. Emshwiller; Rebecca Smith
Avaliação Monster: 9/10

Estimados leitores, aqui apresento mais uma tiragem da série e desde já agradeço a costumeira atenção. Fazendo um breve resumo do contexto, a Enron estreou um período negro na cena corporativa americana com a revelação de fraudes contábeis, inside trading e manipulação de mercado que se seguiu após o estouro da bolha ponto-com dos anos 2000 levando a reboque uma das maiores firmas de auditoria externa, a Arthur Andersen e lesando milhares de investidores e colaboradores da empresa.

O livro foi escrito por dois repórteres do Wall Street Journal que meio acidentalmente revelaram a série de falcatruas contábeis da Enron em uma sequencia de artigos no WSJ. Tratam-se de repórteres veteranos especialistas em coberturas de companhias abertas sendo que Emshwiller já era conhecido por reportagens investigativas de outras fraudes envolvendo empresas de capital aberto. O livro ficou guardado na estante por um tempo pois achei que seria de difícil leitura, entretanto me surpreendi com a facilidade do enredo, mesmo tratando de um livro que entrou nos detalhes do escândalo.

Voltando para a obra, a Enron que era um empresa de serviços públicos estilo boring, produto simples (geração, transmissão e distribuição de eletricidade e gás natural) e receita previsível que criou uma unidade de negociação de contratos futuros e derivativos que precedeu a desregulação do mercado energético americano (que levou ao caos elétrico e uma grande crise sem precedentes em diversos estados, em especial a Califórnia) e em breve período se tornou a maior negociadora do país e acabou por tornar-se a maior fonte do conglomerado e superando a atividades hard asset
O responsável dessa unidade logo tornou o CEO da Enron juntamente com seu diretor financeiro e assim começaram o desmantelamento dos ativos de geração/transmissão e distribuição para focar exclusivamente na trading e tornar-se uma empresa asset light.
Na época, a empresa era umas das queridinhas de Wall Street, que viam maravilhados o crescimento exponencial da empresa e suas técnicas modernas de gestão e seu esforço por se "livrar" da parte da antiga economia que investia nos ativos físicos que então não se via mais valor. A história começa quando o CEO Jeffrey Skilling que então agressivamente subiu a escada corporativa para o topo renúncia inexplicavelmente num dos melhores momentos da empresa no mercado. Os repórteres sem qualquer pista ou cheiro do motivo da saída começaram a pesquisar pela parte mais obvia que o mercado inteiro estava ignorando, o balanço da empresa com suas notas explicativas. 

O que se segue no livro é o início dessa investigação e por pura inocência, a dupla não conseguia entender as múltiplas e complexas transações que envolviam a empresa, com ajuda de fontes inimagináveis, como um fio solto da malha sendo puxado aos poucos, desatou a rede de manobras e fraudes contábeis que sustentava os balanços e lucros da empresa. Um breve spoiler, a empresa não fazia ideia se estava ganhando ou perdendo dinheiro com a unidade de trading, criou uma unidade de telecom que só dava prejuízo e conseguiram transformar em lucro com contabilidade criativa e esconderam dividas bilionárias em diversas subsidiárias. Tudo isso com aval e ajuda da auditoria externa e de diversos bancos de investimento e aplausos de praticamente todos os "analistas" de pesquisa de bancos e corretoras.

Se você gosta de investigação corporativa, e história de quedas fica aqui a recomendação da leitura, gostei bastante e o livro se encontra entre os melhores que já li.


Abraço,
Monster

9 de agosto de 2020

Resenha Literária #5

Como Fazer Amigos & Influenciar Pessoas  
Autor: Dale Carnegie

Estimados leitores, aqui apresento mais uma tiragem da série e desde já agradeço a costumeira atenção. Tanto o livro quanto o autor é mundialmente conhecido, tanto pelos livros quanto pelas aulas e seminários que o próprio ministrou mundo afora. Eu mesmo nunca tinha lido qualquer obra e esta como uma das mais conhecidas que acabei adquirindo novo numa versão de bolso pela bagatela de 10 reais (uma pena que poucos livros novos custe nesta faixa de preço).

A obra foi escrita a décadas e décadas atrás quando o autor se propôs a criar uma metodologia na forma de trato pessoal e profissional. Recomendado para qualquer um que queira melhorar as relações interpessoais, o autor estudou e detalhou as melhores formas e práticas de abordagem a fim de melhorar o convívio entre pessoas sendo elas familiares, colegas de trabalho, associações civis e comerciais entre outras. Demorei consideravelmente para finaliza-lo pois li segundo a recomendação do autor de consumir o livro por etapas para melhor associação e reflexão. 
Minha nota é que não achei nada de espetacular, e não que eu seja o mestre das relações pessoais, achei boa parte das técnicas até obvias, enquanto um bocado do livro que tange a contenção de conflitos e atritos, achei as abordagens consideravelmente submissas e complacentes. Se não leu, vale a leitura mas se tiver outro livro na fila não daria prioridade. 

Abraço
Monster

15 de julho de 2020

Resenha Literária #4

5 Key Lessons from Top Money Managers 
Autor: Scott Kays

Boa noite estimados leitores, Apresento aqui a quarta postagem da série e desde já agradeço a costumeira atenção! Trata-se de um livro que comprei online, sem folhear ou ler alguma indicação. Como estou focando em obras em inglês e por se tratar de investimentos topei a compra. leitura. Livro já antigo, dos meados de 2005 e um pouco desatualizado pois muitos eventos no mundo financeiro ocorreram e a própria tecnologia disseminou muita informação boa e gratuita. Sobre o autor, pelo pouco que vi, é algum especialista/consultor em investimentos que resolveu enveredar na escrita. 

A obra foi feita a partir de entrevistas com os gestores de fundos de ações premiados por empresas especializadas em analise de performance (tipo Barron's e Morning Star) e o escritor tentou encontrar traços comuns nos métodos de seleção destes gestores. Narra brevemente o background social e acadêmico de cada, juntamente com o histórico profissional e entrevista o perfil de investimento, escolha de ativos e gerenciamento de risco que fazem.  Basicamente todos fazem análises fundamentalistas para encontrar o valor intrínseco justo de cada empresa e apenas para investir com uma certa margem de segurança para depois vende-las quando chegar ou ultrapassar o valor justo estipulados por eles. Basicamente seguem os princípios de Benjamin Graham e o foco é apenas a compra com preços descontados para venda futura. Dos gestores e suas empresas, sinceramente não conheço qualquer um deles e a tese de investimento não se enquadra com a minha. Do ponto de vista de conhecimento, o autor consegue explicar como fazer o valuation através do método DDM (modelo de desconto de dividendos) mas eu mesmo também não acredito muito em valuation devido a dependência de variáveis subjetivas e o autor usa alguns exemplos de como fazê-lo usando dados reais de empresas abertas. 

Minha nota é como fonte de conhecimento para investimento/finanças é fraca, entretanto a leitura foi tranquila e valeu para praticar a leitura em outro idioma. O ponto positivo é que o autor exalta a importância de se analisar as ações como sócio e não meramente um código de negociação e não incentiva qualquer técnica de especulação. 

Abraço
Monster

5 de julho de 2020

Resenha Literária #3

ELON MUSK - Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro 

Autor: Ashlee Vance

Boa noite estimados leitores,

Terceira postagem da série iniciada com minhas resenhas de livros que finalizei a leitura para incentivar/recomendar a leitura dos confrades. Para os colegas que gastarão alguns centavos de energia e banda larga, boa leitura.

A obra foi lançada em 2015 e já para adiantar, o autor citava alguns grandes projetos que estavam em andamento mas que o mundo ainda desconfiava de Musk e sua capacidade de cumprir as promessas, o que veio a calhar é que terminei a leitura a três semanas atrás e as duas principais foram cumpridas, sendo ela o envio tripulado ao espaço pela SpaceX e o recorde de carros produzidos pela Tesla. Sobre a obra, ela não foi patrocinada, ou seja não houve incentivo do mesmo, entretanto o Elon colaborou com o autor, cedeu tempo e entrevistas para a conclusão e não exigiu aprovação previa do material produzido. Sobre o autor, não conheço outras obras dele, entretanto passou a imagem de escrita neutra e sem favoritismo.

A obra mescla uma leve biografia do Musk com a criação de suas empresas. Sobre ele, de maneira bem breve, nasceu e cresceu em uma família financeiramente confortável na Africa do Sul, demonstrava característica de grande intelecto e introspecção além de grande interesse por física e mecânica. Acelerando um pouco, já na época da faculdade emigrou para o Canadá (já que ele tem nacionalidade por descendência) e logo depois acabou cursando engenharia no EUA. Os relatos era que ele tinha um nível mediano no curso mas ele mesmo contou ao escritor que não fazia questão de ser notável academicamente pois não tem qualquer vantagem entre ser aprovado com a nota máxima e a minima exigida. Durante a faculdade ele já começou a pensar em empreender na área de tecnologia já que sabia programar por contra própria e após trabalhar num banco canadense e seguiu o conselho de um chefe que ele ainda era novo e poderia ganhar muita grana com isso. 

Junto com o irmão, estudaram o que poderiam criar no surgimento da internet dos anos 90 e após um período de brainstorm, chegaram numa sacada de criar uma página de anúncios de pequenos comércios junto com um sistema arcaico de roterização (tipo um google + waze). Logo então criam a Zip2 e prematuramente conseguiram atrair a atenção de Venture Capitals, investiram pesado na empresa e por uma questão de sorte, conseguiram vende-la um pouco antes do estouro da bolha .com dos anos 2000. Aos 20 e poucos anos Elon já era milionário (uns USD 20 milhões na época).
Musk tomou gosto por empreender e a próxima aventura era criar um banco digital em plena virada do milênio em que mal tinha internet de qualidade e grande número de usuários. Assim surgiu o banco X ou coisa assim, e seguindo a regra de ouro das startups de queimar dinheiro adoidado, Musk basicamente deu all in com o dinheiro da primeira venda + recursos dos investidores de risco e entrou numa briga desenfreada com a então PayPal de Peter Thiel. Para financiar a empreitada, Musk novamente aceitou recurso de investidores Venture Capital que pelo bem do dinheiro deles, convenceram o jovem a fundir os negócios do banco X com o Paypal em vez de concorrer entre si. O fato curioso aqui é que o investidor e conselheiro era o Michael Moritz, autor e depois investidor da Sequoia que citei na resenha sobre a Apple. Daqui o resto é história, mais uns 3 anos e antes dos 30, Musk vende sua participação para o Ebay e soma algumas centenas de milhões de dólares no bolso.

Aqui para frente vem o grosso do livro, que relata em maiores detalhes o surgimento primeiramente da SpaceX e depois da Tesla e que o Musk não teve qualquer receio de colocar todos os milhões que ele tinha conseguido anteriormente e contrariando todos os conselhos de levar uma vida tranquila financeiramente. Tentando ser o mais breve possível, o cara tem uma ideia fixa que os humanos estão destruindo o planeta, e sua contribuição para evitar o apocalipse seria criar meios de povoar outro planeta (SpaceX) e utilizar veículos não poluentes (Tesla). Nesse ínterim ele também investiu pesado numa empresa de energia solar residencial (Solar City) mas não tocava o dia-a-dia como nas duas primeiras.

Minha conclusão, é que mostra um outro lado do Musk, pois minha visão é que ele era mais um showman que alguém preocupado como a viabilidade de seus negócios. O fato é que ele colocou em risco tudo o que tinha e desafiou o pensamento comum sobre a inviabilidade de suas empresas e o futuro está mostrando que ele conseguiu torna-la viáveis. Outro ponto, é sobre a personalidade de pessoas altamente dotadas, que parece ser um traço comum de difícil convivência, exatamente como relatado sobre o Steve Jobs. 

Recomendo a leitura e em breve divulgarei outro livro que finalizei na sequencia mas não divulguei pois acabei atrasando a escrita dos posts.

Abraço
Monster

29 de abril de 2020

Resenha Literária #2

Return to the Little Kingdom: Steve Jobs and the Creation of Apple
Autor: Michael Moritz

Boa noite Monstros,

Segunda postagem da série iniciada com minhas resenhas de livros que finalizei a leitura para incentivar/recomendar a leitura dos confrades. Para os colegas que irão queimar algumas moléculas de oxigênio, boa leitura.

A primeira edição do livro é antiga (1984 para ser exato) e foi lançado na crista da onda da primeira fase da Apple. A obra ainda tem sucesso, pois a edição do meu livro é de 2009. Sobre a obra, ela não foi patrocinada, ou seja não houve patrocínio ou colaboração da Apple e/ou de seus fundadores e segundo o autor, a mesmo gerou conflitos. Sobre o autor, repórter especializado no setor de tecnologia que acabou migrando para o venture capital (colaborou com uma das mais renovadas firmas de investimento de risco da atualidade, a Sequoia Capital).

A obra basicamente relata o surgimento da Apple, do zero na garagem dos pais do Jobs e mescla com um pouco da história pessoal dos fundadores Steve Jobs e Steve Wozniak com uma pitada de relatos de quem conviveu com eles e o desenrolar da Apple. Gostei bastante do livro mesmo sendo antigo, saber o surgimento, a decadência e a reviravolta da companhia foi interessante. A edição que escrevo neste post é atualizada com os fatos pós-1985 no qual basicamente  Jobs foi expulso da própria empresa que criara, mas teve sua participação societária diluída após diversas rodadas de aporte de capital de terceiros, o afundamento e quase falência após gestões fracassadas e pela retomada pelo Jobs da companhia em 1997 e seu inacreditável salvamento, que creio que foi o caso de turnaround mais bem-sucedido do mundo, com a criação de produtos até então inimagináveis como o Ipod e claro, o Iphone. Minha edição é atualizada até o Iphone 3 e Jobs ainda vivo, então não sei se o autor escreveu outra edição com os últimos e marcantes fatos.

Minha conclusão, muitos já devem ter lido e assistido as biografias a biografia do sujeito, como empreendedor era genial e incontestável, mas como ser humano era complexo e de difícil convivência. Também sua forte característica era encontrar e motivar as pessoas certas para as funções certas, com demandas sobre-humanas. Ele aproveitou do conhecimento técnico dos outros, tinha uma boa base de conhecimento, mas não chegava perto dos engenheiros e técnicos que participaram da criação do Vale do Silício, acidentalmente começou a produzir computadores de forma completamente amadora, e soube aproveitar do frenesi do setor nos anos 80 e também com um empurrão da sorte (aqui vai um spoiler, Jobs convenceu o Wozniak a entrar num negocio para ganhar uma grana produzindo placas-mãe para uma loja de eletrônicos, o dono disse que só tinha interesse em computadores prontos e em grande quantidade, Jobs saiu de lá com um pedido, um cheque de adiantamento de pagamento sem ter ideia de como construir um computador).

Recomendo a leitura e também estou conseguindo ler livros em inglês, que alem de forçar  o aprendizado, aumenta exponencialmente a quantidade de títulos disponíveis.

Abraço
Monster

10 de abril de 2020

Resenha Literária #1

Livro Quebra de Contrato

Boa noite investidores,

Início a série de postagens de breves resenhas de livros que finalizei a leitura. Fica a minha opinião aos colegas caso se interessem.

Partindo do início, o livro conta o surgimento, expansão e o ocaso de uma das maiores construtoras do ramo de construção pesada do país. Trata-se da Mendes Júnior e a obra foi patrocinada pelo fundador da empresa, então traz a ótica de toda a situação unicamente da empresa. Particularmente, em obras que narram conflitos, o autor no mínimo deveria dar o direito de contestação da outra parte.
A Mendes Júnior foi uma das maiores construtoras, ganhou renome internacional com obras como a hidrelétrica de Itaipu, rodovia transamazonica, Ponte Rio-niterói entre outras.
A derrocada veio no final dos anos 80, quando a empresa foi aliciada pelo governo à prestar serviço para o estado iraquiano em obras de infraestrutura num esquema maluco do governo para receber petróleo iraquiano em troca de exportação de serviços. Se vocês ficaram perplexos com os escândalos de financiamento do BNDES à países mequetrefes na era do PT, isso já ocorria desde o período militar.
Tudo ia bem, apesar da megalomania do negócio, até o sociopata do Saddam entrar em conflito com o Irã e depois de uma guerra espúria que não teve vencedores, tentou anexar o Kuwait. Resultado da estupidez, quebrou financeiramente o país e sofreu embargo de todas as potências globais.
Já a Mendes, tomou um calote gigantesco e ainda foi obrigado pelo Brasil a continuar a prestar os serviços a fim de garantir o abastecimento de petróleo brasileiro com a condição de receber diretamente do governo. Aqui a empresa tomou empréstimos com o Banco do Brasil e BNDES para compensar o calote, e o pagamento seria feito com a cessão dos recebíveis da construtora aos bancos devido pelo Iraque.
Depois disso, a história é conhecida, não recebeu de ninguém e ainda sofreu execução de cobrança dos bancos brasileiros que financiaram a empresa nesse período. A empresa foi desmantelada, liquidou todos os outros negócios e tentou rolar todas as outras dívidas assumida.
Sinceramente achei a empresa juvenil, tudo bem que o setor de construção pesada depende do governo para garantir demanda, mas se aventur num buraco daquele na fiança do governo brasileiro foi temerário. Logo depois se envolveu numa licitação para uma hidrelétrica no Nordeste que além de não receber, foi obrigada a bancar com recursos próprios pois assinaram um contrato no qual era supostamente obrigada a finalizar a obra independente de receber os pagamentos.
A empresa ainda existe mas não possui atividade operacional, apenas gerencia os passivos e aguarda os pagamentos de processos movidos contra a União que já transitaram em julgado. Para terem um ideia, a empresa é listada na bolsa, possui um patrimônio líquido negativo em quase 12 bilhões de reais. Segundo a empresa, o contencioso a receber é superior ao saldo devedor. Se esse valor será recebido só o tempo irá confirmar.
A obra valeu por narrar os períodos econômicos e políticos turbulentos que o país atravessou entre 1980-200.

Abraço
Monster

Retorno do Monster

Prezados leitores, Após uma parada não programada nas divulgações, por puro descaso com os leitores, pretendo reiniciar as postagens, desde ...